Quando o medo transborda e inunda o meu peito
E o sono não vem pra dar paz ao meu leito
Quando o céu vira bronze, pesado e sombrio
E o fim parece um abismo no meio do rio
O vento está louco, o mar quer me engolir
As horas não passam, não tenho pra onde fugir
Eu não entendo o Teu plano, nem o Teu proceder
Mas dobro o joelho, sem precisar compreender
Eu creio em Ti, mesmo no vale da morte
Eu creio em Ti, além da vida e da sorte
Eu olho pra Ti, através da fumaça e da dor
E espero em Ti, meu sombrio e fiel Salvador
Filho, escuta o meu sussurro no meio do vendaval
Eu sinto a tua dor, eu conheço o teu mal
O mar que te assusta, eu domino com a mão
O tempo da vitória eu guardo na palma do chão
Esse deserto é o fogo que molda o teu ferro
Eu ouço o teu grito, eu entendo o teu erro
Tem novidade guardada no fim da estrada
Mas primeiro caminha, na noite gelada
Eu cuido de ti, quando o mundo te esquece
Eu cuido de ti, enquanto a tua alma padece
Descansa em mim, para o pranto parar
Começa a sorrir, enquanto o Sol não chegar
O que eu tenho é maior que essa terra seca
O amanhã é meu, não deixe que nada te impeça
Recebe o meu abraço, sinta o meu frio calor
Pois da tua vida, sou o único Senhor
Eu cuido, eu cuido, nas sombras do jardim
Eu cuido de ti, descansa em mim
O céu ainda é bronze
Mas o fim, não é o fim