Coloca o headset, o mundo ficou distante
Uma mulher cai num palco cintilante
Sem nome, sem memória, só um novo papel
Pomni é o nome preso neste anel
Uma saída aparece, depois desaparece no ar
O erro perfeito de um jogo sem voltar
Sob luzes coloridas, todos fingem aguentar
Sorrisos partidos que ninguém quer mostrar
Jax provoca o caos só para não cair
Ragatha costura o que insiste em ruir
Gangle chora atrás de uma máscara de dor
Kinger perde-se entre o medo e o terror
Zooble rejeita o corpo que não escolheu
E Kaufmo foi onde a sanidade morreu
E o Caine sorri como se tudo fosse normal
Mas ninguém sai vivo deste circo digital
Bem-vindos ao Circo Digital
Onde até o riso parece artificial
Memórias partidas, sem direção
Cérebros presos numa simulação
Correm sem sair do mesmo lugar
À espera de algo que os venha libertar
Entre mapas doces e mansões de terror
O Caine cria histórias sem sentido ou valor
Mas falha no controlo, começa a ruir
E até o criador já não sabe mentir
Um erro no sistema abre a verdade cruel
Não são pessoas reais fora deste papel
São cópias de alguém que já ficou para trás
Presos num mundo que não perdoa mais
No meio do caos, Jax perde o chão
Rindo enquanto se afunda na própria escuridão
Pomni entra na mente que ele tenta esconder
E vê tudo o que o fez assim crescer
Uma casa partida, palavras como armas
Um passado pesado que nunca se acalma
Amigos perdidos, culpa a corroer
E alguém que deixou de saber quem quer ser
Ele empurra o mundo antes de ser empurrado
E fica sozinho por tudo ter mudado
O Caine quebra, o sistema começa a falhar
E o circo inteiro começa a colapsar
O grupo percebe, não há verdade exterior
Só ecos de vidas num código superior
Mas mesmo sem saída, há algo a nascer
Não é fuga, é aprender a viver
Bem-vindos ao Circo Digital
Onde a dor também tem forma virtual
Já não procuram uma saída no ar
Aprenderam apenas a continuar
Zooble respira, Gangle aprende a ficar
Ragatha sorri sem se desfazer no olhar
Kinger recorda, mas sem se perder
E Jax já não sabe bem o que é ser
E no meio das luzes que nunca vão parar
Pomni caminha e fica a acenar
Não há saída, nem mundo real
Só um circo eterno digital