Credo, Tiago, tá pensando em morrer já?
Misericórdia
Tem muito pra viver ainda, guri
Em muitos dias, confesso, não quero nem sair da cama
De mãos atadas, até o momento em que a bomba-relógio se aciona
A ferida inflama, o ódio do mundo me consome em chamas
Sem leme, sem lema, navegando na lama
Mas, mais uma vez, uma voz me chama
E me traz de volta à realidade
Pra contar as bênçãos, sem vaidade
Não só contas têm validade
Sem desconto, enquanto vai a idade, mas
A arte saúda o propósito e salva do surtar
Estanca a sangria severa que sentencia o sonhar
Sutura o semblante surrado que satura o soar
Subverte problemas em histórias pra cantar
E faz eu me lembrar
Que não estou só
E preciso cuidar
De mim, de nós
Faz eu me lembrar
Que não estou só
E preciso cuidar
De mim, de nós
É difícil se olhar no espelho e detestar o que se vê
É difícil soterrar talento pra ainda ter o que vestir e comer
É difícil ser malvisto, malquisto, por quem não consegue te entender
É difícil lidar com quem te desrespeita e quer que tu vá se fo
Respiro fundo pra evitar o fundo do poço
Expiro o amargo do âmago por quem invalida o que faço
Me sinto exausto de estar exausto, mas
A arte saúda o propósito e salva do surtar
Estanca a sangria severa que sentencia o sonhar
Sutura o semblante surrado que satura o soar
Subverte problemas em histórias pra cantar
E faz eu me lembrar
Que não estou só
E preciso cuidar
De mim, de nós
Faz eu me lembrar
Que não estou só
E preciso cuidar
De mim, de nós