Esse instrumental, Sombra, é o contato paranormal
Eu, a caneta e um whisky do Blue Label
Eu dei meu sangue igual um furo no pulso
E meu lado obscuro te assusta
Tipo criança no escuro, né?
AR-15 canta, tu-tu-tu-tu!
Terceiro mundo é assim
Fome de morte mais que a de um urubu
Vários amigos são do corre, uns caíram, te juro
Nessa vala eu sempre penso se eu pulo ou não pulo
Tipo a navalha do Shelby
Cortei umas asas com o rap
Escreve uma rima que presta
Não só quem vai pôr na selfie, assim
This shit is poetic, get it? Like Shakespeare
My pen will never drop on a paper a fake tear
Amanhã cai a chuva, suja
Tem uns mano que vende porque tem vários mano que usa
Na rua, nem sempre quem tá certo não tem culpa
Já vi inocente em fuga, cuidado com essa viatura
É por um fio, né?
Muita fé no rap, nas crianças do Brasil
Só abre o olho praquilo que cê não viu
Quem plantou a semente errada nem sempre tá com o fuzil
A quadrilha sonora não faz zoom, zoom, zoom
Trafica informação, resgatou mais um
O som que faz barulho das Origens, bola os plano
Junta vários rap e o Nog ligou os mano
O rap virou uma casa com uma placa escrito Aluga-se
Mas ela ninguém compra porque sempre foi dos MCs
Na cena eu sigo vendo mais atores e menos dos freaks
É tipo droga pros boy, as histórias dos pretos daqui
É 50/50 na cena que paga centavos
Reféns das notas, nos veem como escravos
Olhos estourados pra cima dos nossos diabos
Oferecendo o pão que o diabo amassou
E o centro se movimenta enquanto o crack quebra
Menor levou três tela com a bike na praça
E o contrato só chega se o seu nome roda
Todos somos produtos que o tráfico banca
Artista não é bandido e eu tô cansado disso
Aqui a ignorância é um cavalo sem rédea
É que eu tô pelo movimento e nunca fui de fazer média
125 mães chorando sangue na favela
Acho que nem dá 20
Burguês que nunca viu ninguém com 12 segurando a AR-15
Enquanto os caras que comandam o crime tão respirando o ar puro
E o soldado cheio de coca na mente
É o drama que deixa a saudade de quem nós ama
Tá vindo Antônio Carlos e se foi Dona Rosana
Esse rap tem peso pros meus primo que me viu crescer
E hoje tá aqui no som com Sombra e MV Bill
Zuluzão! 1900 e passado
Rap, sigo seguro
Ficou claro, nós vai chegar em 3000 e futuro
Rimas, selva de pedra, pixo em becos escuros
As batidas, hip-hop é meu remédio, eu me curo
Aerógrafo no concreto, o sistema é duro
Nossas rimas escritas para 3000 e futuro
Quebrada, CEP, endereço, longa distância
Poesia de rua, maldade trança e não avança
Trocando ideia no escuro, iluminamos com a brasa
Queimando a língua com a fumaça
É no peito, é na raça
Basta e repassa, cantando rap real e sem trapaça
A quadrilha sonora não faz zoom, zoom, zoom
Trafica informação, resgatou mais um
O som que faz barulho das Origens, bola os plano
Junta vários rap e o Nog ligou os mano
Que desde menor, já passou pior
Louco cedo, arrumou os B. O, conheceu o corró
Cheio de medo, sempre andava só, herdeiro do ó
De desprezo, carreira de pó, oitão sem dó
Senta o dedo, tráfico que rola, menor joga a bola
Noia pede esmola, tá tudo ali, a viela, o campo é escola
A boca vendendo pra uns engravatado de paletó
A bolsa e as remessa com produto pra quem cheira pó
Se tem salceiro na loja, hoje é dia de arrego
Na melhor hora ele solta ou mais um fuzil é pego
Cada um faz a sua cota, bate a caminhada amarga
Tem uns mano ali trancado, que valeu menos que a carga
É o retrato do Brasil, na esquina da sua casa
Quantos avião subiu, pela pista sem ter asa
Onde o carro da droga passa com hora marcada
E o crime atrai moleque, e atrai buceta molhada
Como um bingo, número surgindo
Algarismos dentro da planilha de um gringo
De onde tem vindo, quem tá investindo
Nessa guerra fria que várias almas tão indo
Just another day, tomei café ouvindo Marvin Gaye
Já treinei, ganhei pela vida meu Whey
Protein, rap do bom tem, número um também
Te falei, nesse baralho não tem rei, nem dono
Por isso todo mundo tem seu trono
Pra montar o seu legado e não cair no abandono
Mas porra, aquele beat, aquele refrão
Aquela temática, na moral, sem noção
Mortos intelectualmente, tua mente atualmente
Mente pra geral e geralmente
Negócio andando de marcha ré
E tem gente no meio dizendo que tá mais pra frente
Falando da boca pra fora, vendendo mentira
Otário na mira, bacana, bacana, você não me engana
Nem tudo que vira, meu bonde eu admiro
Não sabem de nada de tudo que teve pra cena
Chegar nesse patamar, agora, vagabundo
Sobe no palco, tá querendo cantar de galo
Foi nessa que o maluco foi de ralo
Pagou de criminoso na ondinha de embalo
Virou estampa de camisa, numa operação que o mundo aplaudiu
Câmeras mostraram que sumiu peça de carro
Pertence de morador e não entregaram um fuzil
Viu? Desconfiança onde for
Tem muito sacolé se achando o Petit Gâteau
A quadrilha sonora não faz zoom, zoom, zoom
Trafica informação, resgatou mais um
O som que faz barulho das Origens, bola os plano
Junta vários rap, o Nog que ligou os mano
Nog aqui, Zuluzão, MV, Sombra e Magrão
Muito obrigado, tamo junto
Família MV agradece pelo carinho e pelo respeito