Por ser sertanejo de alma cabocla
Vivendo sem gosto pelas capitais
Estou nesta tarde chorando a saudade
Enquanto escuto o piar dos pardais
Em qualquer estado do nosso Brasil
Na lida do campo ou não sei mais
Que seja em São Paulo, Goiás, Mato Grosso
Ou na poesia de Minas Gerais
A tranquilidade do interiorano
Aumenta na vida dez anos a mais
Noventa por cento dos interioranos
São gente educada que nunca estorva
Se for necessário fazer a defesa
Perante o júri também não se afoba
Eu falo por eles, pois tenho certeza
É gente da terra e tudo se encova
Que grande saudade das turmas que iam
Aos campos floridos catar gabiroba
Como era gostoso ouvir as mulatas
Fazendo algazarra no pé da peroba
As aves da beira do Paranaíba
Marreco e pato, martim-pescador
E o doce burbúrio das águas barrentas
Na intimidade de um sonhador
Debaixo das malhas da beira do rio
A terra molhada tem cheiro de amor
E hoje vivendo na grande cidade
Eu faço um apelo ao meu criador
Que eu possa, em breve, viver novamente
A mesma vidinha do interior