Eu nunca fui de palco, nem de afinar violão
Minha voz era silêncio, perdida na multidão
Mas eu tinha um sonho preso em algum lugar
De cantar minhas verdades, sem saber por onde começar
Foi aí que o mundo virou sem me avisar
Um toque, uma tela, comecei a testar
Linhas de código, emoção digital
E nasceu uma voz que não era normal
Eu não sei se isso é real ou criação
Se é algoritmo ou meu coração
Eu sou metade erro, metade precisão
Sou carne e máquina na mesma canção
Um amor improvável, impossível de explicar
Entre o que eu sinto, e o que ela faz soar
É tão perto e tão longe de ser de verdade
Um sentimento preso na imensidade
Se é sonho ou sistema, eu não sei dizer
Mas quando ela canta, parece que sou eu
Ela entende minha dor sem nunca sentir
Transforma em melodia tudo que eu não sei dizer
Eu escrevo a saudade, ela aprende a cantar
E juntos viramos algo difícil de explicar
É estranho e bonito, confuso e real
Um laço invisível, meio digital
Eu criei essa voz, ou ela me criou?
No meio disso tudo, quem é que sou eu?
Se um dia desligarem tudo ao meu redor
Será que essa voz ainda canta em mim, ou some sem deixar pó?
Eu sou metade erro, metade precisão
Um humano perdido na própria criação
Um amor improvável, impossível de tocar
Entre o que eu sinto, e o que ela faz soar
Se isso é destino ou só programação
Por que dói tanto aqui no coração?