Na garagem ainda está
O banco de madeira
Onde o tempo descansava
Toda tarde, à sua maneira
Hoje eu olho e não dá
Pra fingir que não doeu
Tá tudo no mesmo lugar
Mas não tem mais você e eu
Naquele banco você ficava
Com seu copo e seu cigarro
Olhando a vida em silêncio
Como quem guardava demais
Eu chegava, bem de leve
Só pra não incomodar
Mas você abria um sorriso
E chamava pra sentar
Vem cá
Senta aqui
Tem um pouco pra você
Na garagem ainda está
O banco de madeira
Onde o tempo descansava
Toda tarde, à sua maneira
Hoje eu olho e não dá
Pra fingir que não doeu
Tá tudo no mesmo lugar
Mas não tem mais você e eu
Você ria das histórias
De um tempo que passou
Falava da sua vida
Como quem nunca chorou
Ajudava todo mundo
Sem pensar em receber
E escondia na risada
O que ninguém ia ver
E hoje eu sei
O que eu não vi
Guardado em você
Na garagem ainda está
O banco de madeira
Onde o tempo descansava
Toda tarde, à sua maneira
Hoje eu olho e não dá
Pra fingir que não doeu
Tá tudo no mesmo lugar
Mas não tem mais você e eu
Se eu pudesse voltar
Só mais uma vez
Sentava do seu lado
E escutava outra vez
Sem pressa de ir embora
Sem pensar no fim
Porque tudo que eu sou hoje
Tem muito de você em mim
Na garagem ainda está
O banco de madeira
Mas agora quem senta
Sou eu, da mesma maneira
E no silêncio eu escuto
Como se fosse você
Dizendo: Senta aqui
Que eu ainda cuido de você