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Confira a Letra Carne Que Ninguém Escolheu

Abismo Cavado e Medicado

Carne Que Ninguém Escolheu

Nasci nessa pele antes de escolher nascer
Nasci nesse corpo que o mundo decidiu ler
Antes de eu falar, já tinham me classificado
Antes de eu andar, já sabiam meu lugar traçado

Me deram um roteiro junto com o meu nome
Um jeito de ser que já vinha com meu sobrenome
Mas o corpo não é destino, é só o ponto de partida
O que eu faço com ele é que decide a minha vida

Não escolhi a carne, escolhi o que ela carrega
Não escolhi a régua, mas escolho como nego
Situação não é sentença, é o chão onde eu piso
Meu corpo é história, mas eu escrevo o que ainda não foi escrito

Carne que ninguém escolheu mas a história é minha
Carne que ninguém escolheu a rota eu que desenho
Não sou só o que me deram
Sou o que eu faço com o que deram

Quiseram me encaixar numa forma pronta
Um molde de gesso onde a diferença não conta
Mas todo corpo carrega uma guerra silenciosa
Entre o que impuseram e o que a gente ousa

Situação não apaga escolha, ela é o material
Toda liberdade nasce de um chão desigual
Não peço perdão por ocupar esse espaço
Meu corpo é território e eu decido o traço

Não escolhi a carne, escolhi o que ela carrega
Não escolhi a régua, mas escolho como nego
Situação não é sentença, é o chão onde eu piso
Meu corpo é história, mas eu escrevo o que ainda não foi escrito

Carne que ninguém escolheu mas a história é minha
Carne que ninguém escolheu a rota eu que desenho
Não sou só o que me deram
Sou o que eu faço com o que deram

Esse corpo
É campo de batalha
E eu
Sou quem decide a guerra

Vocês olham minha pele e acham que já sabem tudo
Mas a superfície não conta o que existe por dentro, no fundo
Não sou vítima do que me deram de berço
Sou autor da resposta mesmo com o roteiro adverso

Carne que ninguém escolheu mas a história é minha
Carne que ninguém escolheu a rota eu que desenho
Não sou só o que me deram
Sou o que eu faço com o que deram

A carne é ponto de partida