É sempre a mesma pressa
Nessa cidade que não para de girar
E a gente correndo atrás de um tempo
Que insiste em não esperar
Você cruzou a minha rua
Com um sorriso torto e um verso de cordel
Falava dos livros, das bandas, do mundo
E de como a terra era perto do céu
E a gente ria à toa
Sem saber que o tempo tinha pressa também
Que a vida às vezes é curta demais
Para quem só quer o bem
Você foi ver o mar de outro lugar
Deixou a janela aberta e o violão no altar
E eu continuo por aqui
Entre reuniões, rotinas e o fim
Tentando entender se o que a gente viveu
Teve um sentido pra mim
Dias de chuva forte, dias de Sol sem cor
O rádio toca aquela canção
Que fala de dor e de amor
Os ponteiros avançam depressa
E a juventude é um sopro, um clarão
Ficou o som da sua voz
E a saudade apertando o coração
Quem foi que disse que os fortes sobrevivem?
Se os mais sinceros partem antes do fim
Você levou um pedaço da tarde
E deixou o silêncio pra mim
E agora eu sei o preço de crescer
É aprender a carregar o que se perdeu
Entre lembranças de um tempo dourado
Que foi teu, que foi meu, que já se esteve
Vá em paz, meu velho amigo
A viagem é longa, mas o vento te conduz
Até o dia em que a gente se esbarre de novo
Sob a mesma e eterna luz