No primeiro sopro do dia que vem
O céu se abre e me chama também
Em tons dourados que tocam meu ser
Eu fecho os olhos só pra agradecer
Descalça eu sinto a terra vibrar
Como se soubesse meu nome chamar
E em cada passo tão leve e profundo
Eu me reconheço em tudo do mundo
O vento me toca com mãos de avó
Sussura histórias que nunca estão sós
Carrego em mim quem veio antes de mim
Raiz invisível que não tem fim
E eu canto baixo pra não quebrar
O silêncio sagrado que vem me abraçar
Entre um batimento e outro do coração
Eu ouço a vida em forma de canção
Gratidão pelo pão sobre a mesa
Pela fome saciada com tanta beleza
Pelo grão que dormiu no ventre do chão
E hoje desperta em transformação
Gratidão pela água que lava e conduz
Que corre em mim como rio de luz
Pela saúde que dança sem som
Afinando meu corpo em um só tom
Minha força não grita, ela vem devagar
Como mata fechada que insiste em brotar
Silenciosa mas firme no seu caminhar
É raiz que aprende sozinha a ficar
E a prosperidade eu sinto chegar
Não como pressa mas como o mar
Que sabe o seu tempo de vir e voltar
E me ensina o fluxo de confiar
Gratidão pela paz que em mim se fez
Que floresce e vive em cada amanhecer
Um espaço calmo, lar interior
Onde repousa inteiro o amor
E o amor, ao amor que ficou
Mesmo quando o mundo em mim desabou
É chama viva que não se desfaz
É o que me sustenta, é o que me traz
Eu honro o antes, o agora e o depois
Sou muitos caminhos vivendo em um só
Sou voz que ecoa de tempos distantes
Sou cura que nasce dos meus ancestrais
E nesse instante tão pleno e real
Eu me expresso em presença essencial
Sou corpo, sou alma, sou som, sou raiz
E hoje agradeço por tudo que fiz
Por tudo que sou, por tudo que é
Gratidão me guia em silêncio e fé