Há planos que se desenham
Sem jamais se encontrar
Linhas que seguem retas
Mas convidam o olhar
Há sombras que se alongam
No contorno da visão
E há formas que se inventam
Pra caber no coração
Há planos que se cruzam
Sem jamais se tocar
Perspectivas que se ampliam
Quando o som quer respirar
Há traços que se expandem
Entre o dentro e o fora do ar
E há vozes que se completam
No espaço de escutar
Surge a terceira linha
Que transforma o que era plano
O som ganha corpo e alma
O tempo vira humano
Entre o ponto e o horizonte
Há uma curva que ilumina
O som respira fundo
E nasce a terceira linha
Há planos transparentes
Entre o real e o pensado
Há silêncios que têm forma
E ecos desencontrados
O que era paralelo
Agora se vê por dentro
E o ar entre as notas
Ganha peso e movimento
Surge a terceira linha
No limite do olhar
O som abre dimensões
Onde o tempo quer ficar
Entre o ponto e o horizonte
A música se inclina
E o mundo se refaz
Na luz da terceira linha