Todo dia, uma nova fase
Posso perder a esperança, mas não serei um covarde
Todo mês, as mesmas contas pra pagar
Uma de luz, outra de água e a da casa pra morar
Todo ano, o mesmo medo no olhar
Tentando ser forte sem ninguém notar
Enquanto a chuva cai no telhado furado
Eu sigo sorrindo, mesmo todo quebrado
Lembro da época que eu comia vento
Dormia na calçada abandonado no relento
E lembro bem, aqueles que fingiam tá comigo
Eu só via minha sombra misturada no perigo
Vi muita porta se fechar na minha cara
Vi promessa bonita virar palavra rara
Vi gente rindo da minha roupa rasgada
Mas não sentiram a dor da madrugada
O tempo foi passando e eu fui colocando os meus pés no chão
Porque eu me amo tanto e não quero mais dormir em cima de um papelão
Se eu não arquitetar um plano, eu vou fazer da minha vida uma ilusão
Já se passaram alguns anos e ainda me encontro na mesma situação
Mas cada cicatriz me ensinou a caminhar
Cada derrota me treinou pra suportar
Se o mundo me virou as costas sem razão
Eu aprendi a ser abrigo pro meu próprio coração
Não importa se a rua é suja e perigosa
Enquanto tu me julga, tu tá aí usando droga
Não me interessa o que os outros vão achar
Cada um fala o que quer, mas ninguém vem me ajudar
Não importa se eu tô pedindo esmola
Alguns centavos que tu tem, pra mim é uma joia
Não me interessa se o mundo vai acabar
Porque eu estarei aqui pronto para recomeçar
Toda manhã, procuro a minha vaidade
Parecendo um zumbi caminhando na cidade
Toda noite eu me vejo nessa ilusão
Mesmo assim ainda mereço misericórdia e perdão
Toda tarde eu observo o movimento
Carros correndo, gente correndo contra o tempo
Ninguém percebe quem caiu no meio da rua
Ninguém entende a dor de uma mente nua
Se amanhã Deus me abrir uma janela
Eu entro limpo e nem precisa acender vela
Porque quem sofre aprende mais que professor
E quem cai muito reconhece o valor do amor
Na estrada longa da vida eu sigo andando
Com pouca coisa, mas ainda sonhando
Se hoje me falta teto e pão na mesa
Ainda me sobra fé, coragem e firmeza
Na estrada longa da vida eu vou vencer
Mesmo cansado eu não nasci pra me perder
Se ninguém veio quando eu precisei da mão
Eu fiz do peito abrigo e da dor munição
O tempo foi passando e eu fui colocando os meus pés no chão
Porque eu me amo tanto e não quero mais dormir em cima de um papelão
Se eu não arquitetar um plano, eu vou fazer da minha vida uma ilusão
Já se passaram alguns anos e ainda me encontro na mesma situação
O tempo foi passando e eu fui colocando os meus pés no chão
Porque eu me amo tanto e não quero mais dormir em cima de um papelão
Se eu não arquitetar um plano, eu vou fazer da minha vida uma ilusão
Já se passaram alguns anos e ainda me encontro na mesma situação