Ao som de uma caixa de música, acordou João
Ao lado do berço, um corpo caído, desilusão
A casa vazia e no ar um cheiro, a solidão
Pra lá da janela, uma visão tão estranha
O que terá acontecido?
Como um pássaro que saiu do ninho e esvoaçou
João deu a medo alguns passos pelo quarto e sem querer
Debruçou o corpo sobre o chão morno e adormeceu
Talvez pra dormir o seu último sono
E o que fica a dizer?
João, mais uma vítima nuclear numa casa no meio da cidade
Onde só se contavam histórias de mal e de bem
João, mais uma vítima nuclear numa casa no meio da cidade
Onde só se contavam histórias de realidade
Uma brisa estranha chegou de repente, com sabor a fim
E uma noite fria caiu sobre os restos do auge do poder
Entre o tudo e o nada ficou uma sombra, uma recordação
Talvez algum dia alguém venha a perguntar
O que terá acontecido?
Um manto de fumo cobriu a cidade em forma de adeus
Talvez pra apagar a última imagem guardada da terra
A tocar no meio do deserto, plantada a caixinha ficou
Testemunha ingênua das glórias já findas
E das marcas da vida
João, mais uma vítima nuclear numa casa no meio da cidade
Onde só se contavam histórias de mal e de bem
João, mais uma vítima nuclear numa casa no meio da cidade
Onde só se contavam histórias de realidade
E tudo acabou!