O brilho no seus olhos não é admiração
É o reflexo da conta que você faz na mão
Me estende o braço pra eu não afogar
Mas me quer sempre abaixo, pra poder comparar
A amizade é uma trégua, um cerco disfarçado
Onde o inimigo dorme ao nosso lado
Você gosta da minha dor, ela te faz sentir bem
É o consolo de saber que eu não sou ninguém
Mas se eu ensaio um passo fora do abismo
Você puxa o gatilho do seu egoísmo
A inveja é o veneno que a intimidade destila
Quando o sucesso do outro incomoda e cintila
A amizade é o tédio dividido por dois
Um pacto de descarte pra se usar depois
Eu não te amo, eu só temo o vazio
E você queima meu nome pra aquecer seu frio
A traição não é o fim, é a natureza do laço
Ninguém sustenta muito tempo o mesmo abraço
Quando a utilidade acaba, sobra barulho
A lealdade morre no primeiro mergulho
O amigo é o rascunho de um traidor com paciência
A gente cai na armadilha por carência e inocência
Me use enquanto eu for o seu espelho quebrado
Depois me jogue onde o lixo é guardado