Sem cidadania na Ilusão
Tomei como pátria a Solidão
Lúcida na liberdade do deserto
Livre da esperança da negação
Nem esse consolo restou
Eterna ressaca sem embriaguez
O tédio é minha única oração
Pedindo ao Silêncio a devolução
Dos restos da minha escassez
Carregamos o já pesado
Próprio túmulo ainda vazio
Dormimos com o finado
Que ainda não está frio
Tempo, esse mal paciente
Mais perverso que a serpente
Fingindo que o amanhã faz sentido
Ruímos olhando o relógio
Leal projeto de falecido
Ainda inundado de desejo
Carregamos o já pesado
Próprio túmulo ainda vazio
Dormimos com o finado
Que ainda não está frio
O erro de cálculo Universal
Lentamente corrigido
Pela Desconvidada final