É baque virado do Congo
Cortejo de coroação
Essa loa traz mistérios de uma história feita à mão
Desde o tempo que ouro é marfim
A nobreza nasceu em mim
E desfila o seu esplendor
Lá no Recife quando a Corte invade a rua
Abre caminho pra falar de Dona Júlia
Dona Santa subiu pro Òrun, a Calunga incorporou
Tem mistério a mandinga que seu filho assentou
Ô Babá, na Imbuia, o Egun da Rainha
Epa Babá, na madeira, o Ori de Oxalá
Ao partir seu pai de santo foi guardada em desencanto
Onde a vida vira conto, quem sumiu, se fez achar
Nas tradições do Xambá, retorna pro seu Ilê
E o ritual vai novamente começar
É Galinha d'Angola, farinha, é sangue no couro
Sassanha pra folha de boldo
Copo d'água, fumaça e acaçá
Foram três dias de resguardo no roncó
Feitiço que corta nó pra boneca reencantar
Dama do Paço levou pro baque das ondas
Partiu do Pina um cortejo a desfilar
E num silêncio que tudo dizia
Os tambores cantariam por quem foi, mas vai voltar
Meia noite, meia noite, eu vi a terra tremer
Senhora dá passagem pro povo do Òrun descer
Meia noite, meia noite, eu vi a terra tremer
Senhora dá passagem pro povo descer pro Ayê
Oyá Oyá, ê Lari ô Oyá Balé
Oyá Oyá, ê Lari ô Oyá Balé
Que meu Ogã evoque um ponto de macumba
Pra ganhar a rua a Imperatriz do candomblé