A casa ficou como sempre foi
Mas o ar parece maior
Tem espaço demais na sala
E eu não sei onde eu me ponho melhor
A xícara ainda na prateleira
O rádio no mesmo lugar
Mas o som que mais me acompanha
É o que insiste em não tocar
Eu pensei que o tempo fosse acalmar
Mas ele só ensinou a escutar
Porque o silêncio também faz barulho
Quando a gente aprende a ouvir
Ele chama teu nome baixinho
Mesmo sem ninguém repetir
É um eco que mora no peito
E não tem pra onde fugir
O silêncio também faz barulho
Desde o dia em que você partiu daqui
Tem noites que eu quase respondo
Quando o vento encosta na porta
Como se a memória soprasse
E por um segundo você volta
Não dói como no começo
Mas também nunca passou
É um vazio que senta à mesa
E nunca mais se levantou
Não é grito
Não é som
É presença em forma de ausência
Porque o silêncio também faz barulho
Mais forte quando a luz se vai
Ele fala sem usar palavra
E fica quando todo mundo sai
Eu aprendi a viver com ele
Mas ainda não sei explicar
Como o silêncio também faz barulho
E continua a me acompanhar