Eu cresci sem perceber
As correntes invisíveis
Frases soltas, velhos medos
Se tornaram impossíveis
Cada não que eu ouvi
Virou voz dentro de mim
Construindo labirintos
Que eu pensei não ter mais fim
Toda dor mal resolvida
Toda ausência, todo adeus
Fez morada na criança
Que ainda chora em meu eu
As prisões da vida adulta
Nasceram lá na infância
Nas feridas escondidas
Na falta de esperança
Hoje eu olho pra essa criança
Com amor e compaixão
Porque a cura do presente
Começa no coração
Aprendi a me calar
Pra não perder afeto
Confundi amor com medo
E silêncio com teto
Me disseram quem eu era
Antes mesmo de eu saber
E passei tantos anos
Tentando sobreviver
Mas agora eu vejo claro
Nada disso é meu lugar
Posso quebrar essas correntes
Posso enfim me libertar
A criança que fui um dia
Só queria existir
Ser amada, ser inteira
Sem ter medo de sentir
As prisões da vida adulta
São ecos do que passou
Mas a alma quando desperta
Reconstrói o que quebrou
Hoje abraço minha história
Sem vergonha e sem prisão
Transformando minhas dores
Em caminho e expansão