Seis anos e já cuidava da casa
Sete anos e já sabia mentir pra não pesar
Enquanto os outros brincavam de nada
Eu aprendia meu próprio jeito de me criar
Ninguém me chamou de criança
Me chamaram de homem da casa cedo demais
Troquei brinquedo por vigilância
Troquei infância por ser capaz
Fui homem antes da hora
Sem nunca ter sido menino
Carregando uma casa inteira
Nos ombros de um corpo pequenino
Hoje eu tenho o corpo de adulto
E ainda choro como criança escondida
Ninguém devolve o tempo roubado
Só aprendo a carregar o que sobra de vida
Quem cuidou de mim? Ninguém
Quem perguntou se eu aguentava? Ninguém
E ainda assim eu segui
E ainda assim eu sigo
Fui homem antes da hora
Mas hoje escolho quem eu sou
Não sou mais o menino que chora sozinho
Sou o homem que finalmente se abraçou
Antes da hora, agora, no meu tempo